come into

Me esquivei, entortei minhas emoções, tentei livrar-me de tudo.
O vento me puxava e as ondas faziam buracos de onde eu não conseguia mover-me. Ali estava eu, na armadilha da existência, maravilhada novamente com a paixão que provei tantas vezes e de tantas vezes desisti.
Amei, chorei, odiei e criei raízes.
A verdade é crua, nua, minha e tua. Toda ela condensada no calor do momento, encabulada em entregar-nos e estonteante com as loucuras cometidas e provadas sem o mínimo de consciência.
Vejo perdão, ondas unilaterais longe do meu litoral tão moral. Quanto mais canto, mais esvazio as noites obscuras. Toco o chão com as mãos e os dedos gelados mostram a frieza da noite e a tristeza da lua brilhando apenas porque tem de brilhar.
Acontecimentos, esquecimentos e fragmentos de uma vida curta e tão cheia de torpor.
Ali, estava eu novamente olhando-me e à minha frente só via a mim mesma.
… like stars hold on the moon…
Cris M.
